Nelson Braun

Ego-Money e Ego-Pinto

Em Sem categoria, abril 2, 2008 às 4:48 pm

Vou falar do que venho identificando como Ego-money e Ego- pinto. Quase todo mundo sabe o que é um Ego, o conto do Reizinho Nu é um ótimo retrato do Ego, onde todo mundo sabia que ele estava nu menos ele, e ninguém falava nada, para agradarem ao Ego do Reizinho. Esse é o Ego, narcisista, egocêntrico, projetivo, egoísta, manipulador, controlador, opressor, limitante e etc. se eu ficar enumerando as qualidades “maléficas” do ego não acabo hoje.

O Ego-money é aquele que pensa, “só valem para mim dinheiro e bens materiais, se não se enquadrar não me presta”, ou aquele pergunta o “quanto você vale?” De acordo com o lucro de que você proporciona, ou ainda “quem é você?” resposta de acordo com o que tem na carteira ou conta bancaria. Ego-money é o responsável pela monetarização das relações, costumava-se vê-los muito nas novelas, o vilão ou a vilã era (não vejo novela há muito tempo), aquele que não media esforços para enriquecer, no caminho esquecia todos aqueles que foram importantes em sua caminhada (amigos, família, professores, tutores e etc.), mas que no momento em que não dão mais lucro ou não são mais importantes na famosa escalada social são descartados. Não sejamos inocentes, todas as relações são de interesse, só namoramos determinada pessoa com o intuito de ser feliz, só rezamos com medo do inferno ou para cair nas graças do senhor, mas o ego-money consegue subverter até as piores relações quando não exposto claramente, porque carregado de culpa cristã, o ego-money precisa manipular para alcançar seus objetivos financeiros, essa particularidade de ego sente culpa ou vergonha de reconhecer e admitir que usa as pessoas em proveito financeiro próprio.

Essa forma de ego está nas decisões políticas, nas relações políticas e não afetivas, está nos “presentes” que esperam reconhecimento, está nas doações que esperam gratidão, esse é o tipo de ego que nunca dá nada, no Maximo troca, mas geralmente pede ou toma muito mais do que julga dar. Tudo para esse ego é ostentação, não compra mais um carro ou uma casa, mas prestigio, tende a querer inveja, quer ser invejado o pobre coitado.

Paradoxalmente esse é o tipo mais miserável que existe. Se pegarmos a teoria da compensação entenderemos seus mecanismos, “eu ostento fora para esconder minha miséria interna de não ter o que mostrar”, “eu uso e abuso dos que estão em volta para não ter que me relacionar profundamente, não ter que me abrir e todos verem que não precisam de mim”, “eu compro as pessoas por que ninguém ficaria ao meu lado de graça”. Claro que esses pensamentos são inconscientes, e aqui estereotipados um tanto para efeito de entendimento.

O Ego-pinto ou Ego-xoxota é uma categoria de ego muito próxima a do ego-money. A diferença básica é que nesse a moeda de troca é o sexo e não mais o dinheiro ou o lucro financeiro. Não me refiro à prostituição, mas a um nível abaixo. Na prostituição tem valor e horário geralmente fixo. No ego-pinto não é tão simples. Caso clássico são os famosos golpes do Baú.

Hoje o sexo é moeda e não mais prazer, os interesses estão além da cama, estão no “cargo que vou ocupar daqui uns meses”, estão no “carro ou jóias que vou ganhar”, ou no “casamento político que faremos em breve”. Então o que levo para cama não é uma pessoa, mas um personagem, uma fantasia. É o desempenho que conta e não mais o abandono momentâneo do ego (característica de uma relação saudável) é o que o personagem que crio e seu desempenho pode me proporcionar no futuro. Nessa relação o ego, não só não é abandonado, como está no controle o tempo todo, orgasmos fingidos, gemidos gritantes, movimentos sem vida, sem sintonia.

As relações da cama também se transformam em relações de poder, dominância, manipulação.

Poderíamos dizer que o ego-pinto é o trampolim para o ego-money. E que ambos estão em sintonia de manipulação o tempo todo. “eu te ofereço sexo e você me oferece o que?”, “eu te ofereço grana, segurança e conforto e você me oferece o que?”.

Essas relações são mais comuns e sutis do que se pensa. Em novelas estão estereotipadas e escancaradas, mas no dia-a-dia são sutis e sinuosas. Como já disse, todas as ações são interessadas ou interesseiras, não existe ação desinteressada, logo não existe relação desinteressada. O que deturpa é a manipulação e o vilão ou a vilã se passando por mocinho ou mocinha, é a não clareza, é o não admitir os reais interesses. Ego todos temos incluindo nossos santos e iluminados, mas são egos transcendidos e incluídos na totalidade do ser, não estão mais no controle, não manipulam mais por que já foram descobertos e escancarados.

Mas para isso exige coragem, coragem para admitir a manipulação, coragem para agüentar o risco de ficar sozinho, coragem para olhar nossa sombra sem medo ou receio e dizer isso também sou eu ou isso sou eu.

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